Engenheiros transformam lixo plástico em peças de carro na Venezuela
19/07/2018 às 09:30 Vista: 123 Vez(es)
Reciclagem ajuda a abaixar os custos de uma peça em até 40%, eliminando os gastos com a importação. Albermar Dominguez insere plástico moído para derreter e usar em impressora 3D Marco Bello/Reuters Dois jovens engenheiros descobriram uma oportunidade em meio ao colapso econômico da Venezuela -- e dentro de um depósito de lixo repleto de equipamentos eletrônicos quebrados. Eles estão derretendo o lixo plástico e colocando-o em impressoras 3D para fabricar itens sofisticados como peças automotivas, que estão se tornando cada vez mais difíceis de obter no país porque os controles cambiais restringem a importação de materiais básicos. Albermar Dominguez e John Naizzir só produzem 1 quilo de filamento plástico por dia, mas pretendem transformar o decadente setor manufatureiro Venezuela tornando-o mais barato para as empresas que dependem de importações caras. Dominguez recolhe carcaças de computador e impressoras no lixão Marco Bello/Reuters É um sinal de como uma crise nunca vista incentivou alguns jovens a inovar depois de cinco anos de contração econômica. "As pessoas não acreditam que uma tecnologia esteja sendo desenvolvida no país", disse Dominguez, de 26 anos. Muitos de seus ex-colegas da Universidade Simón Bolívar, em Caracas, já deixaram a Venezuela, juntando-se a um êxodo de mais de 1 milhão de pessoas em fuga da escassez generalizada de alimentos e remédios. A inflação anual chegou perto dos 50.000%, e Caracas é uma das cidades mais perigosas do mundo. Plástico triturado vira matéria-prima para peças de carro na Venezuela Marco Bello/Reuters Dominguez disse que visitou os Estados Unidos para aprender com pessoas da indústria de impressão 3D depois de se interessar pela reciclagem de lixo. Depois ele voltou para a Venezuela, e juntamente com Naizzir, de 27 anos, começou a revirar o depósito de lixo da universidade, recolhendo carcaças de computadores e impressoras velhas. Mais tarde, sua empresa, a Nedraki, fechou um acordo com uma usina de reciclagem na cidade de Valência para ter acesso a mais material. Enquanto a nação era abalada por protestos de rua contra o presidente Nicolás Maduro no início de 2017, os dois produziram seu primeiro metro de filamento plástico. Hoje a Nedraki fornece o filamento a mais de 13 empresas venezuelanas e produz peças de plástico, como rodas dentadas de transmissão de câmbio, para outras companhias. Dominguez disse que seu filamento ajuda a abaixar os custos de uma empresa em até 40% eliminando os gastos com a importação e o transporte das peças. A Nedraki vende 1 quilo de filamento por cerca de US$ 17. VIA: G1 > Auto Esporte
