Esportivo 'de entrada' da Mercedes tem 421 cavalos; G1 testou na Alemanha

Esportivo 'de entrada' da Mercedes tem 421 cavalos; G1 testou na Alemanha

15/11/2019 às 08:30 Vista: 13 Vez(es)


Esportivo de entrada da empresa chega ao Brasil em março do ano que vem. Com 421 cv, motor 2.0 é o quatro cilindros mais potente já produzido em série. Mercedes-AMG CLA 45S Divulgação 421 cavalos, 51 kgfm de torque e aceleração de 0 a 100 km/h em 4 segundos. Se estivéssemos nos anos 1980, os números acima certamente viriam de um motor V12 — ou de um V8, caso fossem as décadas de 1990 ou 2000. Como vivemos em 2019, esses indicadores já podem ser obtidos por um "simples" 2.0. No caso, o motor de 4 cilindros de produção em série mais potente do mundo. Ele equipa o Mercedes-AMG CLA 45S, que só chega ao Brasil em março, ainda sem preço definido, mas já foi avaliado pelo G1 na Alemanha, em um percurso de mais de 800 km entre as cidades de Stuttgart, casa da Mercedes, Munique e Frankfurt, na época em que esta cidade recebeu o Salão do Automóvel mais importante do ano. Ele é a porta de entrada para o mundo da AMG, a divisão esportiva da marca alemã. Versão 'civil' do novo CLA chega ao país por R$ 220 mil Tabela de concorrentes do Mercedes-AMG CLA Divulgação Nesse trajeto, algumas centenas de quilômetros foram em estradas com asfalto liso, retas longas e motoristas civilizados — e sem limite de velocidade. Até por isso, foi possível passar dos 250 km/h. Esta, por sinal, é uma das diferenças do CLA 45S para o CLA 45 sem o “S”, que tem “apenas” 387 cv, contra aqueles 421 cv mencionados no início do texto. Na opção mais potente, a velocidade máxima é limitada a 270 km/h, 20 km/h mais do que no modelo “básico”. Aliás, ter duas configurações de potência é uma das características da nova geração do sedã, apresentada na Europa há poucos meses, no fim de julho. É a mesma filosofia já adotada em veículos preparados pela AMG, a divisão esportiva da Mercedes. Gato ou leopardo? Mercedes-AMG CLA 45 S tem grade característica da AMG, rodas de 19 polegadas e tomadas de ar maiores André Paixão/G1 Distinguir o CLA 45 dos demais “irmãos” é tão simples quanto diferenciar um gato de um leopardo. Partindo das configurações comuns, a AMG promoveu uma plástica considerável no sedã. O pacote inclui a típica grade da preparadora, com 12 barras verticais, para-choque mais pronunciado, com generosas tomadas de ar, caixas de roda mais largas, para acomodar os pneus 245/35 e as belas rodas de 19 polegadas. Saídas duplas de escape marcam a traseira do Mercedes-AMG CLA 45 S André Paixão/G1 O padrão se repete na traseira, com um difusor de ar no para-choque e duas saídas duplas de escape em formato circular (cada uma com 9 cm de diâmetro) com a assinatura da AMG. O conjunto, ainda mais com essa pintura vermelha, é de extremo bom gosto, sem parecer exagerado ou “anabolizado” demais. Quebra-cabeça Motor 2.0 do Mercedes-AMG CLA foi virado 180 graus André Paixão/G1 Na geração anterior, o motor 2.0 do CLA rendia 40 cv e 2,5 kgfm a menos. O trabalho da engenharia para incrementar a potência se compara ao de formiguinhas. Com pequenas mudanças aqui e ali, os números melhoraram consideravelmente. Uma das principais ações foi virar o motor 180 graus, horizontalmente, é claro. Com isso, turbo e coletor de escape migraram para a parte traseira, próximos à parede corta-fogo. Já a admissão foi deslocada para a frente. Todo esse arranjo, diz a Mercedes, otimizou o caminho dos dutos. Outra novidade é um sistema duplo de injeção – direta e indireta. O spray, que pode espirrar gasolina a uma pressão de até 200 bar diretamente na câmara de combustão, se une ao sistema que injeta o combustível ainda no coletor de admissão. Ele entra em ação em um segundo momento, de forma complementar. A vantagem é conseguir ter o melhor desempenho de dois sistemas que atuam em momentos distintos. Marca registrada e assinada Placa no motor contém assinatura do engenheiro responsável pela montagem André Paixão/G1 A Mercedes pode modificar a posição de todas as peças de um motor, mas uma coisa segue inalterada na divisão esportiva AMG: cada motor será tocado por apenas um engenheiro, responsável por toda a montagem. Ao término do trabalho, uma plaqueta com a orgulhosa assinatura do técnico é instalada na tampa plástica. Além de todo o trabalho de engenharia, há novidades acústicas. O CLA estreia na linha compacta um sistema que envia para a cabine uma emulação do som do motor, para reforçar a esportividade. O ronco varia de acordo com o modo de direção selecionado. Mesmo que o ronco do 2.0 de 4 cilindros não tenha o encanto de um V8, o som artificial parece exagerado, como se o CLA 45S quisesse se afirmar como membro da linhagem AMG. Isso não é necessário, afinal seus números de desempenho já o credenciam como um carro esportivo. E a maior parte do mérito é do próprio motor, que conversa muito bem com o câmbio de dupla embreagem de 8 marchas. As trocas são rápidas, e acontecem sempre no momento certo. Caso o motorista pense ser melhor do que a máquina, ele ainda pode fazer as mudanças por meio de aletas atrás do volante. Mas é recomendável deixar o câmbio trabalhar sozinho. No modo mais esportivo, ele chega a segurar uma troca de marchas até que o motor alcance as 7 mil rotações por minuto. Nessa situação (e até antes disso), as passagens vêm acompanhadas de um estampido seco, diretamente das saídas de escape. O veículo avaliado ainda dispunha do opcional AMG Ride Control, que permite ajustar a suspensão em três diferentes mapas, desde um mais confortável, até um esportivo. A função é bastante útil, já que um carro muito duro na cidade, por exemplo, acaba sendo bastante desconfortável, enquanto um veículo mole demais em estradas e curvas também não é divertido. Nas duas condições, usando o acerto correto, o CLA vai muito bem. Não maltrata a coluna dos ocupantes na cidade, tampouco provoca insegurança em velocidades mais altas. AMG Junior Saídas de ar redondas e LEDs coloridos dão charme à cabine Divulgação O CLA (junto com o Classe A) 45 AMG é a porta de entrada para os esportivos da Mercedes. Essa é a razão para que sua cabine seja uma reprodução em escala dos modelos maiores, como o CLS. A essência da Mercedes está presente no volante de diâmetro avantajado e base reta, nos ajustes dos bancos na porta e na alavanca de câmbio na coluna de direção. As saídas de ar redondas conferem um toque de esportividade – complementado pela iluminação interior por LEDs, que podem ser configurados em diferentes cores, ao gosto do cliente. Exagero Excesso de botões incomoda na cabine do CLA 45 Divulgação Mas dois aspectos da cabine despertam a atenção do motorista. Um deles é a grande moldura que envolve as telas que servem como quadro de instrumentos e central multimídia. O outro, nem tão positivo, é a maciça presença de botões espalhados pela cabine. Se considerarmos as teclas do volante, a soma certamente vai passar de 20. Nesse quesito, a Mercedes parece ir na contramão de outras fabricantes, que praticamente aboliram os botões de seus carros mais modernos. O pior é que boa parte das funções presentes nas teclas também podem ser controladas pela própria central multimídia. Como se não bastasse, ainda há um "touchpad" que garante uma segunda redundância. Sistemas redundantes costumam ser muito bons em aviação ou na conservação de dados importantes, já que conferem uma segurança maior. Mas, em um carro, esse conservadorismo é perfeitamente dispensável. Mercedes-AMG CLA 45 S André Paixão/G1 Inteligência para mudar O incômodo com a quantidade de botões é logo recompensado com a generosa dose de inteligência do CLA. O pacote de equipamentos, ao menos no exemplar avaliado, é bastante abrangente. Após uma velocidade pré-estabelecida, o controle de velocidade de cruzeiro (ACC) mantém uma distância para o veículo que vai à frente. Isso não é nenhuma novidade, e há diversos carros no Brasil com tal sistema. Mas o ACC da Mercedes também inclui reconhecimento de placas de trânsito. Se o motorista programa o sistema para 110 km/h, e o limite da via muda para 80 km/h, o CLA faz a redução de forma automática. O contrário também é válido. Só que há uma tecnologia ainda mais interessante. Quando o auxílio de manutenção de faixa está ativo, e o motorista deseja mudar, o carro pode fazer a manobra sozinho, desde que não haja outro veículo próximo. Durante o trajeto nas boas rodovias alemãs, foi possível utilizar o recurso em algumas ocasiões, comprovando o bom funcionamento da tecnologia, que confere maior segurança às manobras. E o Brasil? Mercedes-AMG CLA 45 S André Paixão/G1 Não há garantia de que o sistema funcione no Brasil. Até porque a sinalização nas rodovias do país ainda é bastante precária. No entanto, considerando que os carros da AMG costumam chegar recheados de tecnologias, não seria surpresa encontrar os aparatos por aqui. A Mercedes ainda não falou em preços, mas o valor certamente será mais alto do que os R$ 349,9 mil cobrados pela geração anterior, que saiu de linha no início deste ano. Considerando que o Classe C 63 AMG, modelo superior, sai por R$ 499,9 mil, não é difícil imaginar que o novo CLA fique na casa dos R$ 400 mil. Por esse preço, é difícil encontrar algum veículo considerado um rival direto para o CLA. Um possível concorrente, mas ainda assim, distante, é o BMW M2, cupê de duas portas que traz um motor 3.0 de seis cilindros e 410 cv. Mas o CLA ainda leva vantagem por ter desempenho avassalador, e, ainda assim, poder levar toda a família junto. VIA: G1 > Auto Esporte

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