Morre Sergio Marchionne, ex-presidente da Fiat Chrysler
25/07/2018 às 10:30 Vista: 114 Vez(es)
Italiano de 66 anos era um dos executivos mais respeitados da indústria e sofreu complicações médicas após cirurgia no ombro. Sergio Marchionne, presidente da FCA Piero Cruciatti/AFP Sergio Marchionne, ex-CEO da Fiat Chrysler (FCA), morreu aos 66 anos, informou nesta quarta-feira (25) a companhia. O italiano estava internado em uma clínica de Zurique, na Suíça. Marchionne deixou nos últimos dias o comando da FCA (conglomerado que inclui as marcas Fiat, Jeep, Ram, Dodge, Alfa Romeo, Mopar e Chrysler) e da Ferrari já por causa de complicações de uma cirurgia no ombro. "Infelizmente, o que temíamos aconteceu. Sergio Marchionne, homem e amigo, morreu", afirmou John Elkann, membro da FCA. Seu grave estado fez com que FCA e Ferrari tivessem que escolher seus sucessores antecipadamente em um conselho de administração reunido de maneira urgente no último sábado. Marchionne tinha anunciado sua saída da FCA para o ano que vem e da Ferrari em 2021. Ele deixa a mulher Manuela e dois filhos, Alessio e Tyler. Sergio Marchionne inaugurou o 3º turno na fábrica de Pernambuco neste ano Divulgação/Fiatpress Criando um conglomerado A história de Marchionne na Fiat começou em 2003, quando Umberto Agnelli, herdeiro da família fundadora da Fiat, o chamou para fazer parte do conselho de administração da companhia, mesmo sem ter qualquer experiência em automóveis e com um histórico no setor de seguros. Em 14 anos, Marchionne conseguiu tirar a Fiat da crise e transformá-la em uma "sociedade sólida e com um futuro brilhante", como ele mesmo afirmou em junho deste ano ao anunciar seu plano industrial para 2022 e 45 bilhões de euros em investimentos. Marchionne foi um visionário e um dos responsáveis pela fusão com o grupo americano Chrysler em 2009. Presidente Dilma Roussef dentro do Renegade; à esq., o presidente-executivo mundial da Fiat Chrysler, Sergio Marchionne Roberto Stuckert Filho/PR Os números de sua era dizem tudo: o faturamento passou de 47 bilhões de euros em 2004 para 141 bilhões no ano passado, e o prejuízo de 1,5 bilhão de euros de 2004 passou para um lucro líquido de 4,4 bilhões em 2017. O executivo também soube relançar as marcas do grupo americano como a Jeep, que ele considerava um dos "carros-chefes" da companhia, e transformou a Ferrari. A marca de esportivos estava estagnada e a escuderia de Fórmula 1 em crise, mas ambas se tornaram novamente a "joia da coroa" da família Agnelli, após adquirir 90% das ações que estavam nas mãos de bancos e investidores e criar uma sociedade separada da Fiat com cotação na Bolsa. Os resultados da Ferrari no primeiro trimestre de 2018 registraram um aumento do lucro de 19,4% em relação ao mesmo período do ano passado e um faturamento de 3,4 bilhões de euros. Nos últimos anos, Marchionne buscou outras fusões com as gigantes General Motors e com a Volkswagen, mas não teve sucesso. O executivo defendia que as montadoras só sobreviverão se dividirem os custos de motores com emissões mais baixas e do desenvolvimento de novas tecnologias, como veículos sem motorista e propulsão elétrica. Troca no comando O novo executivo-chefe da FCA é Mike Manley, de 54 anos, nascido em Edenbridge, no Reino Unido, responsável pela marca Jeep desde 2009 e chefe de operações do grupo na América do Norte desde 2015. O novo executivo-chefe da Ferrari será Louis Camilleri e seu presidente, John Elkann. Veja alguns feitos de Marchionne à frente da FCA: 2005 - Fiat negocia o fim da parceria o direito de compra da GM sobre a marca italiana. Em troca, empresa americana paga US$ 2 bilhões 2009 – A Fiat acerta a compra da Chrysler com o governo americano. Marchionne é nomeado CEO 2011 – Dois anos depois, a Fiat assume finalmente o controle majoritário da Chrysler e suas marcas, Jeep, Dodge e Ram. Neste ano surge o primeiro veículo criado pelo grupo, o Fiat Freemont 2014 - É criado o Grupo FCA, com sede legal na Holanda 2015 - Marchionne vem ao Brasil para o lançamento do Jeep Renegade 2015 – A Ferrari se separa da FCA, mas Marchionne é escolhido presidente da fabricantes de carros esportivos 2015 – Marchionne tenta um acordo de fusão com a GM, que rejeita a proposta 2017 – Dois anos depois da negativa da GM, o grupo tenta, sem sucesso, uma fusão com a Volkswagen 2018 – Executivo rejeita vender a Jeep após especulações 2018 - Em março, Marchionne volta ao Brasil para inaugurar o 3º turno da fábrica em Goiana (PE) VIA: G1 > Auto Esporte
