Primeiras impressões: Ford EcoSport Titanium 1.5
19/02/2019 às 08:30 Vista: 418 Vez(es)
Versão aposenta o estepe pendurado na traseira e agora usa pneus com tecnologia run flat, que podem rodar mesmo vazios. Tampa do porta-malas passou mudanças visuais. Ford EcoSport Titanium chega à linha 2020 com novidades Guilherme Fontana/G1 É o começo do fim da marca registrada do Ford EcoSport: o pneu pendurado na traseira foi abolido de uma das configurações do SUV, a Titanium, pela adoção de pneus "run flat". São aqueles que podem rodar vazios. A ausência do item também teve como consequência uma renovação visual para a versão. A novidade, segundo a fabricante, poderá ser aplicada ao restante da linha se houver demanda - mas que, por enquanto, a versão mais cara com motor 1.5 será a única a oferecer o apelo de "modernidade" e "tecnologia". Pela exclusividade, ela cobra R$ 103.890. Traseira do modelo perde o estepe pendurado; placa sobe para a tampa do porta-malas Guilherme Fontana/G1 Impressões ao dirigir O G1 foi até o Campo de Provas da Ford em Tatuí, interior de São Paulo, para um dos testes mais improváveis já propostos: dirigir o EcoSport com pneus murchos e/ou furados. O primeiro contato foi com o modelo com apenas um dos pneus esvaziados, propositalmente, até ficar sem pressão. Painel do EcoSport mostra pressão dos pneus e alerta sobre anomalia em um deles Reprodução/Ford Rodando a no máximo 80 km/h, a diferença de rodagem para quando os 4 pneus estão cheios é praticamente imperceptível. Na prática, o motorista só se daria conta da situação pelo monitoramento de pressão. Ignorando o pneu murcho, o SUV está com o rodar mais rígido, já que os pneus "run flat" são mais duros, o que prejudica sensivelmente o conforto. Na segunda etapa, a missão era ir para a pista com os dois pneus traseiros furados - a própria marca fez os furos com uma furadeira minutos antes do início dos testes (veja abaixo). Antes do teste na pista, os pneus foram furados com uma furadeira Guilherme Fontana/G1 A direção perde um pouco de sua precisão e a traseira do veículo fica mais leve, tendendo a escorregar nas curvas, mas sem sustos. Quando há a iminência da perda de controle, os sistemas de estabilidade e tração entram na jogada e é possível sentir suas atuações. Vale destacar, porém, que em uma situação de uso real, na cidade, o EcoSport pode se sair ainda melhor e chegar ao destino sem grandes problemas. Isso porque, durante o teste na pista, o modelo foi submetido à velocidade constante de 80 km/h - a velocidade máxima suportada pelos "run flat" -, mesmo em curvas fechadas, com maior necessidade de esterço, e abertas, com tendência a tangenciar para fora do circuito. Nas ruas, as manobras são feitas de maneira mais sutil e em velocidades menores. Ficha técnica: Ford EcoSport e concorrentes Divulgação e G1 'Run flat' O EcoSport é o primeiro carro de volume equipado com pneus deste tipo no Brasil - antes dele, apenas modelos "premium" vinham com eles de fábrica, como Audi, BMW, Mercedes-Benz e Porsche. O grande diferencial desses pneus para os convencionais é a possibilidade de rodar com eles vazios por 80 km a até 80 km/h. Dentro desse limite, não há necessidade de que um pneu esvaziado, furado ou rasgado seja imediatamente trocado ou reparado, daí vem a abolição do estepe. O EcoSport Titanium agora usa pneus run flat, que rodam mesmo com zero pressão Guilherme Fontana/G1 Caso o condutor não encontre um local para reparar o pneu avariado na distância indicada (80 km), um kit de reparo acompanha o modelo no porta-malas. Ele é composto por um frasco de líquido selante e um compressor elétrico. É necessário que o líquido selante seja aplicado no local do furo e, depois, o pneu seja recalibrado com o compressor, que pode ser ligado à tomada de 12V do carro. Feito isso, a distância de rodagem é estendida para 200 km - permanecendo a velocidade máxima de 80 km/h por segurança pela solução ser apenas temporária. A marca alerta que o reparo efetivo deve ser feito o mais rápido possível (e apenas uma vez por pneu), além de não indicar o conserto do tipo "macarrão" (uma borracha alongada que é inserida no local do furo). Furo feito antes do teste; nestas condições, não há possibilidade de reparo Guilherme Fontana/G1 Na estrutura, os reforços em flancos, ombros e talões (laterais dos pneus) são os responsáveis por suportarem o peso do veículo mesmo sem pressão nos pneus. O único ponto contra fica para o preço do pneu. De acordo com a Ford, o pneu utilizado no EcoSport, um Michelin ZP, custa cerca de R$ 900 reais a unidade. O convencional usado anteriormente saía entre R$ 600 e R$ 700. Sem estepe, pode? A legislação brasileira prevê, na Resolução 14 de 1998 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como obrigatória a existência de uma "roda sobressalente, compreendendo o aro e o pneu, com ou sem câmara de ar, conforme o caso". É ela que permite os pneus mais finos que os originais, o tipo de estepe que muitas marcas têm adotado recentemente, também com uso temporário. Um projeto de lei (00952/2015) que propunha que o estepe tenha características idênticas às dos demais pneus utilizados no veículo foi arquivado no último mês de janeiro. Compressor elétrico é item alternativo obrigatório para compensar ausência de estepe Reprodução/Ford O caso do EcoSport é diferente - e isso não faz dele um infrator de leis. A resolução 259 de 2007 aponta que a dispensa do estepe poderá acontecer quando a não necessidade do item for comprovada pelo importador ou fabricante. De acordo com o texto oficial, o veículo deve ser "dotado de alternativas para o uso do pneu e aro sobressalentes, macaco e chave de roda". No Ford, os pneus "run flat" garantem os argumentos para que sejam uma das exceções do CTB. As alternativas são o kit de reparo que acompanha o veículo e o monitoramento de pressão dos pneus. Esses pneus não estão sozinhos no avanço tecnológico de rodagem. Em 2015, a Hankook anunciou o êxito em testes com pneus sem ar, com tramas internas de sustentação e feitos com materiais ecológicos. A Continental tem outro produto que promete maior proteção em furos até 5 mm de diâmetro. Os pneus têm uma camada de selante interna que, em caso de perfuração, veda a abertura quase que instantaneamente. Linha 2020 Além das novidades envolvendo os pneus, a linha 2020 do EcoSport também passou por alterações visuais e reposicionamento de versões. Porta-malas do EcoSport é pequeno e abertura lateral da tampa passa longe da praticidade Guilherme Fontana/G1 Na aparência, a única a ganhar desenho revisto foi a Titanium, justamente pela retirada do estepe na traseira. Com isso, o rebaixo para a placa de licença subiu para a tampa do porta-malas. A tampa e o para-choque traseiro são novos. Mesmo assim, a tampa do porta-malas continua com a nada prática abertura lateral. Além da estranheza e do peso, a porta ocupa um grande espaço atrás do veículo. Ou seja: se pretende fazer compras, nada de estacionar de ré ou perto do carro de trás. EcoSport Titanium, mesmo sem estepe na traseira, tem porta que abre para o lado; solução é ruim ocupa muito espaço traseiro Guilherme Fontana/G1 A versão também deixou de oferecer o motor 2.0 de até 176 cavalos de potência para adotar o mesmo 1.5 de três cilindros com 137 cavalos, sempre com câmbio automático de 6 marchas. A motorização maior ficou apenas para a configuração Storm, com tração integral. Entre os equipamentos, a Titanium segue com piloto automático, faróis de xênon com leds diurnos, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, sistema de som Sony com 9 alto-falantes, câmera de ré, chave presencial, alerta de pontos cegos, teto solar elétrico, assistente de partida em rampas, controles de estabilidade e tração e 7 airbags. Interior do SUV tem central multimídia com tela "flutuante" e acabamento bicolor Guilherme Fontana/G1 Com as novidades, os preços da linha 2020 do EcoSport ficaram assim: SE 1.5 manual: R$ 78.990 SE 1.5 automático: R$ 84.990 Freestyle 1.5 manual: R$ 85.890 Freestyle 1.5 automático: R$ 91.890 Titanium 1.5 automático: R$ 103.890 Storm 2.0 automático 4WD: R$ 108.390 VIA: G1 > Auto Esporte
