Honda City 2027 muda pouco e não baixa preços para enfrentar os chineses; veja o teste
03/11/2026 às 11:02 Vista: 6 Vez(es)
Honda City 2027. Divulgação / Honda A Honda apresentou a linha 2027 do City sem reduzir os preços para enfrentar a concorrência dos carros chineses. As versões custam entre R$ 117 mil e R$ 156 mil. A fabricante aposta na fidelidade de seus clientes e no pós-venda para manter as vendas do modelo, que ganhou mudanças no visual, novos equipamentos e uma versão inédita. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Além da nova versão RS, o City hatch e o sedã receberam alterações nos para-choques, faróis e acabamento. As configurações mais caras também passaram a oferecer uma central multimídia de 10 polegadas. O motor 1.5 aspirado de 126 cv e o câmbio automático CVT continuam os mesmos. E o g1 testou o novo Honda City para entender se apenas quem é fã da marca japonesa vai ficar feliz com a novidade. Por que o Honda Civic sumiu das ruas? Tapa no visual Toda a família City passou por uma atualização visual, concentrada principalmente na dianteira. A Honda redesenhou os para-choques e passou a oferecer faróis Full LED de série em todas as configurações. Nas versões Touring e RS, uma barra iluminada em LED conecta visualmente os faróis dianteiros e funciona como luz de posição. Outra mudança aparece ao redor do logotipo da Honda. A região recebeu uma moldura pintada na cor da carroceria, que cria a impressão de que o capô ficou mais comprido. A grade superior agora apresenta acabamento em formato de colmeia e uma pequena inclinação. O desenho da parte inferior do para-choque continua diferente entre as duas carrocerias. Honda City 2027. Divulgação / Honda No sedã, a entrada de ar inferior tem formato de trapézio invertido, com barras horizontais. Já o hatch utiliza uma grade em colmeia, acompanhada por uma seção pintada na cor do veículo. A traseira também foi modificada. O sedã ganhou um para-choque com desenho trapezoidal e refletores verticais nas extremidades. No hatch, os recortes do para-choque traseiro ficaram mais afilados. As rodas de liga leve de 16 polegadas receberam novos acabamentos, com tonalidades de cinza ou preto conforme a versão. Retoques deram certo As mudanças mais significativas do Honda City 2027, portanto, estão no design. Ao vivo, o conjunto é harmonioso, mesmo com a adoção de elementos visuais inspirados no Prelude. Adaptar características de um carro para outro mais barato e com proporções diferentes nem sempre funciona, mas, neste caso, a Honda conseguiu um resultado equilibrado. O curioso é que, ao tentar atualizar o City sem modificar profundamente o projeto, a fabricante acaba revisitando soluções já utilizadas. Os refletores dos para-choques, por exemplo, começaram com formato vertical, passaram a ser horizontais no facelift e agora voltaram à posição vertical. É uma demonstração de como a linguagem visual adotada pela Honda oferece poucas possibilidades de mudanças mais profundas sem alterar a identidade do modelo. Honda City 2027. Divulgação / Honda Motor e consumo A Honda não alterou a mecânica do City 2027. Tanto o hatch quanto o sedã continuam equipados com motor 1.5 flex aspirado de quatro cilindros, com bloco e cabeçote de alumínio e injeção direta de combustível. São 126 cv de potência com etanol ou gasolina. O torque máximo chega a 15,8 kgfm com etanol e 15,5 kgfm com gasolina. O câmbio também permanece o automático CVT, que simula trocas de marcha. A transmissão tem ainda uma função que aumenta automaticamente o freio-motor durante descidas, quando o sistema identifica o acionamento do pedal de freio. O consumo informado para cada carroceria é o seguinte: Honda City Sedan Etanol: Cidade 9,1 km/l; Estrada 10,8 km/l Gasolina: Cidade 12,9 km/l; Estrada 15,3 km/l Honda City Hatch Etanol: Cidade 9,1 km/l; Estrada 10,7 km/l Gasolina: Cidade 13,2 km/l; Estrada 15,1 km/l Honda City 2027. Divulgação / Honda Pacato Na mecânica, o motor 1.5 aspirado continua sendo um dos pontos fortes do City, principalmente pela previsibilidade de manutenção e pelo comportamento conhecido dos proprietários. Se o objetivo da Honda é preservar as características valorizadas pelos clientes, a decisão faz sentido. Tanto o sedã quanto o hatch continuam sendo produtos bem resolvidos, com um conjunto mecânico que não apresenta surpresas. O g1 dirigiu o City em rodovias e trechos de estradas sinuosas. Como não houve mudanças mecânicas, o comportamento permaneceu dentro do esperado. O desempenho não está entre os principais atributos do modelo, mas isso não significa que o motor 1.5 aspirado seja muito inferior aos modelos 1.0 turbo disponíveis no mercado. O consumo também chamou a atenção. Em determinados momentos da viagem, mantendo velocidade de cruzeiro entre 100 km/h e 110 km/h, o computador de bordo indicou consumo de gasolina de 21 km/l. Isso mostra que motoristas dispostos a dirigir de maneira mais tranquila conseguem aproveitar a eficiência do conjunto mecânico. Nova tela Na cabine, uma das principais novidades é a central multimídia com tela sensível ao toque de 10 polegadas, disponível nas versões Touring e RS. O equipamento permite controlar o volume e trocar de música por meio de gestos com vários dedos na tela. A conexão com Android Auto e Apple CarPlay funciona sem a necessidade de cabos. Essa nova central multimídia ajuda a entender a filosofia da Honda em relação aos seus clientes mais tradicionais. Em vez de apostar em uma interface repleta de cores e efeitos visuais, a fabricante optou por uma apresentação mais discreta, com fundo preto e comandos simplificados. Embora não tenha botões físicos, a central permite realizar algumas operações deslizando os dedos pela tela. É uma solução interessante do ponto de vista da ergonomia, pois busca facilitar o uso dos comandos sem exigir que o motorista desvie constantemente o olhar da estrada. A escolha, porém, também representa uma aposta comercial. Ao priorizar a objetividade, a Honda pode agradar aos compradores acostumados com seus produtos, mas deixar de conquistar consumidores que valorizam telas maiores e interfaces mais chamativas. Para esse público, uma central de apenas 10 polegadas, com fundo preto e poucos efeitos gráficos, pode transmitir a impressão de ser inferior a sistemas mais coloridos, mesmo que isso não seja a verdade. Galerias Relacionadas Segurança A segurança também recebeu atualizações. Todas as versões do City 2027 passaram a contar com seis airbags. Já o pacote de assistência à condução Honda Sensing agora é de série nas configurações EX, EXL, Touring e RS. Entre os recursos estão a frenagem automática para reduzir o risco de colisões e o assistente que ajuda a manter o carro dentro da faixa de circulação. O controle de cruzeiro adaptativo também foi atualizado. Agora, consegue acompanhar o veículo à frente em velocidades baixas e realizar uma parada completa. A partir da configuração EXL, o City passa a oferecer o sistema myHonda Connect, que permite utilizar um aplicativo de celular para consultar a localização do carro e comandar funções à distância, como o ar-condicionado. Outra mudança é a garantia de fábrica, ampliada para seis anos em toda a linha, sem limite de quilometragem. Honda City 2027 tem parachoques dianteiros exclusivos para cada carroceria Divulgação / Honda Sem guerra de preços O g1 questionou executivos da Honda sobre a decisão de manter os preços do City em um momento de maior concorrência dos fabricantes chineses. Ariel Mógor, gerente de marketing da Honda, afirmou que a empresa não pretende disputar clientes por meio de descontos agressivos. “A Honda tem altos índices de satisfação no pós-venda e temos um retorno dos clientes que já são Honda”, explicou. Segundo o executivo, a fabricante considera que as atualizações da linha 2027, acompanhadas de reajustes relativamente pequenos, são suficientes para atender ao público do City. A Honda também aposta na rede de concessionárias, que possui uma estratégia de valorização dos carros seminovos da marca nas negociações por veículos zero-quilômetro. Entre janeiro e agosto de 2026, a fabricante emplacou 18.909 unidades da família City no Brasil. As vendas ganharam ritmo a partir de julho e alcançaram os melhores resultados do ano nos meses seguintes. A estratégia, porém, ocorre em um momento de mudanças nos preços dos carros novos e usados. O g1 mostrou que o mercado passou por ajustes importantes em 2026, impulsionados principalmente pela chegada de novos modelos chineses na faixa de R$ 100 mil a R$ 200 mil, segmento em que o City também está presente. Veja alguns exemplos de carros com projetos da China na faixa de R$ 125 mil a R$ 150 mil com boa lista de equipamentos: BYD Dolphin GS: R$ 150 mil (promoção de R$ 139.990) CAOA Chery Tiggo 5X Sport: R$ 125 mil CAOA Chery Tiggo 5X Pro: R$ 140 mil CAOA Chery Tiggo 7 Sport: R$ 142 mil CAOA Changan CS55 Prime: R$ 145 mil CAOA Changan CS55 Infinity: R$ 155 mil Chevrolet Spark EUV: R$ 152 mil (promoção de R$ 147 mil) Geely EX2: R$ 124.600 Pro / R$ 137.800 Max MG4 Urban: R$ 135 mil Comfort / R$ 145 mil Luxury / R$ 155 mil Luxury Long Range Além da concorrência chinesa, marcas tradicionais como Toyota, Jeep e Volkswagen passaram a oferecer promoções para veículos zero-quilômetro. Mesmo diante desse cenário, a Honda decidiu manter sua política de preços e apostar nos clientes que já conhecem a marca. Vendas A pré-venda foi anunciada para 5 de outubro, com um lote inicial de 3 mil unidades e preços iguais aos da linha 2026. Os valores começam em R$ 117.500, na versão LX, e chegam a R$ 156.400, na RS. Depois que as 3 mil unidades forem vendidas, a Honda vai aumentar o preço da versão LX em R$ 200. Para as demais configurações, o reajuste previsto é de R$ 1.100. As vendas regulares da linha 2027 começam no início de novembro. Durante a pré-venda, a Honda também oferece documentação gratuita para quem financiar o veículo pelo banco da própria fabricante. A montadora informou que não pretende manter os preços promocionais nos lotes seguintes. Confiança na história A estratégia de preservar as características do City também aparece na política comercial da Honda. Ao manter os preços de tabela e não oferecer, pelo menos neste início, promoções com descontos muito expressivos, a fabricante contribui para preservar o posicionamento de seus seminovos. Essa decisão pode ajudar a reduzir os efeitos da desvalorização que atinge veículos usados, especialmente aqueles na faixa de R$ 100 mil a R$ 200 mil. A questão mais complicada para a Honda, porém, vai além do City. Em momentos de mudanças profundas na tecnologia, no mercado e nos métodos de fabricação, fabricantes tradicionais precisam decidir até que ponto seus produtos devem se transformar para conquistar novos consumidores sem perder aqueles que já são fiéis à marca. Quando um fabricante enfrenta vendas baixas e tem poucos clientes, uma mudança radical de estratégia pode ser mais simples. Afinal, há relativamente pouco a perder. A situação é diferente para Honda, Toyota e outras fabricantes tradicionais que construíram uma base de consumidores fiéis. Nesse caso, abandonar características que agradam aos compradores atuais pode representar um risco tão grande quanto deixar de acompanhar as transformações do mercado. O City 2027 é um exemplo desse dilema. A Honda preferiu atualizar o visual e a tecnologia sem alterar profundamente um produto que já tem um público estabelecido. Resta acompanhar as vendas em 2027 para descobrir se os consumidores tradicionais aprovaram as novidades e permaneceram fiéis ao City ou se decidiram experimentar modelos concorrentes na mesma faixa de preço. Honda City 2027 nas carrrocerias sedã e hatch. Divulgação / Honda Preços e equipamentos do Honda City 2027 Os valores abaixo incluem os preços regulares anunciados pela Honda e as condições de pré-venda, quando aplicáveis. City LX: hatch e sedã R$ 117.700 (pré-venda R$ 117.500) Faróis com tecnologia Full LED; Seis airbags; Assistente de estabilidade e tração (VSA); Assistente de partidas em rampa (HSA); Sistema de luzes de emergência (ESS); Alerta de pressão dos pneus (TPMS); Assistente de frenagem de emergência (EBA). City EX: hatch R$ 137.400 / sedã R$ 138.400 (pré-venda hatch R$ 136.300 / sedã R$ 137.300) Pacote de assistência à condução Honda Sensing (controle de cruzeiro adaptativo com parada total, frenagem de mitigação de colisão, sistema de permanência de faixa, assistente de evasão de pista e farol alto automático); Rodas de liga leve de 16 polegadas de alumínio com face diamantada e pintura interna na cor cinza. City EXL: hatch R$ 144.800 / sedã R$ 145.800 (pré-venda hatch R$ 143.700 / sedã R$ 144.700) Sistema myHonda Connect (aplicativo de celular para rastreamento, partida remota do motor, acionamento do ar-condicionado à distância e travamento das portas). City Touring: hatch R$ 153.300 / sedã R$ 154.300 (pré-venda hatch R$ 152.200 / sedã R$ 153.200) Barra de iluminação em LED que conecta os faróis dianteiros; Central multimídia com tela de 10 polegadas sensível a múltiplos toques para comandos de volume e mudança de faixa; Rodas de liga leve de 16 polegadas com pintura interna na cor preta; Acabamento interno na cor cinza claro (configuração exclusiva para a carroceria sedã com pintura externa nas cores Branco Topázio, Azul Cósmico ou Cinza Basalto). City RS: somente hatch R$ 156.400 Teto, capas dos retrovisores, antena e aerofólio superior com pintura preta; Para-choque traseiro exclusivo com seção central inferior dividida em três partes; Escapamento com ponteira esportiva; Emblemas da configuração posicionados na grade e na tampa traseira; Rodas de liga leve de 16 polegadas com pintura preta e aplicação de verniz escurecido; Revestimento interno do teto na cor preta; Bancos e demais revestimentos da cabine com costuras vermelhas; Pedais com acabamento em alumínio; Pintura perolizada. VIA: g1 > Carros
